Mesmo que a ciência se especialize e tenha cada vez mais precisão e rigor, o objeto sempre estará ligado ao observador tão intrinsecamente que certo dia, o cientista não o verá mais.
Antes que o objeto de estudo seja "desconhecido", usaremos toda nossa "bagagem" científica para presumir, reconhecer, familiarizar, categorizar e passar por cima de qualquer possibilidade de se surpreender, de olhar o fenômeno, e sim, se assustar com o novo. Sim, nós crescemos, passamos anos em escolas, estudando teorias, valores, conceitos, objetos, abstrações, a mente está cheia de "domínios", cheia de poder. Parece que estamos evoluindo, ficando cada vez mais poderosos e inteligentes. Um dia, quando a consciência souber de tanta coisa, mas de tanta coisa, ela pode parar de se surpreender com o mundo. Pode deixar de ter "espaço" pra surpresa e pra novidade, enchergando tudo com tanto conhecimento que seus óculos ficarão fixos para sempre, não sendo mais possível voltar atrás. Penso ser esse o maior medo, não mais ter espaço para descobertas.
A ilusão de que o conhecimento pode nos ajudar a compreender a realidade, justificando todos os esforços científicos, pode nos tornar cegos. Teremos ferramentas, tecnologias, microscópios, computadores, e estaremos cada vez mais longe do "Ver". Quando eu era mais criança, e não tinha muito conhecimento, parecia ter mais espaço para "coisas" novas, meu mundo era mais supreendente, havia tanta coisa que eu nem tinha idéia do que era, que me fascinava e me brilhava os olhos. Hoje, o que me supreende, e preocupa, é que as surpresas estão se reduzindo. Acumulei toneladas de teorias, lixo intelectual de todo tipo, ciência avançada, especializada, coisa fina! Livros e livros de idéias, palavras e concepções. Quando eu souber de tudo que posso saber, o desafio será "abrir espaço", não pra me aprofundar ainda mais na "ilusão" do conhecimento, mas pra ver de um modo cru, nu, essencial, primordial. Ainda sim, cru, nu, essencial e primordial serão palavras carregadas de lixo, de passado. Ahh certo, a ciência deve se debruçar no futuro. Que futuro? O tempo em que todas as palavras possíveis já tiverem sido inventadas, destruídas e reconstruídas, tentando resignificar seus "conteúdos". E que conteúdos são feito as palavras? Não são de letras, professor. O observador só pode ver (no objeto), aquilo em que já está inundado: Fórmulas, teorias, instrumentos, conceitos, "verdades"... A base do conhecimento está se "solidificando", e nos possibilitando "evoluir?" na compreensão da realidade. Parece loucura. E é, amigo. Acredite. O maior inimigo para conhecer a verdade pode ser a dúvida, mas também pode ser a certeza!
Diego Ornellas
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