domingo, 20 de março de 2011

O que você tem feito da vida?

Tic...tac...tic...tac... Mal começa o dia e um estrondo metálico/eletrônico irrompe na madrugada silenciosa compondo a sinfonia da manhã mais temida e menos aguardada por muitos, a do despertador, que põe milhares em pé todos os dias. Olhos vermelhos pedem cama enquanto seus donos limpam suas cacas remelentas que insistem em retornar mais úmidas e menos grudentas aos olhos menos vermelhos. O dia mal começa e pensamentos latentes e impertinentes cintilam como um faróis de xenon focados nos olhos de mentes perturbadas. Prazos, metas, juros, contas, reuniões... E cada vez mais a brincadeira de casinha vai ficando muito séria, séria até demais.
Muitos zombam dos considerados loucos, desprendidos e despragmatizados, porém como disse Augusto Cury em "O vendedor de Sonhos" - ... os loucos são aqueles que elaboram as teorias usadas pelos considerados normais - e isso definitivamente gera uma controvérsia. Os "normais" zombam do fato de os "loucos" não terem idéias fixas, planos de carreira ou de família e de seu "descompromisso" com a realidade. De fato realidade é sobre o que eles mais sabem. O engraçado em tudo isto é que alguns destes "normais" desejam ardentemente, em momentos de "devaneio" (é claro), ser como os malucos desprendidos. Isso porque a brincadeira de casinha entedia e a pergunta que não quer calar vem a tona. "O que eu estou fazendo nesse mundo?". Todo aquele planejamento , metas e objetivos mesmo que atingidos não são suficientes para apaziguar a borbulha e inquietação causadas pela pergunta filosófica, as vezes levando o indivíduo à "loucura" (ou seria isto um bem que nos tornasse voltados "normalidade"?). Conceitos de loucura e normalidade são muito abstratos quando analisados por um ponto de vista filosófico e podem confundir mentes "esclarecidas", portanto não os discutirei.
Mesmo assim, felizes são aqueles que têm essa pergunta na mente, pois muitos sequer chegam a refletir sobre tal questão. Felizes porque têm tempo de observar o que têm feito da vida, analisar suas personalidades, relacionamentos e descobrirem a si mesmos buscando viver o que querem e não o que um sistema falido espera que vivam. A rotina cansa, cala, diminui e faz com que nos "acostumemos" a ela.
Engraçada a matemática das coisas. Alguns planejam e conseguem alcançar "seus" objetivos (que, volto a dizer, na maioria dos casos pertence à uma coletividade abstrata [alguns insistem em chamar de sistema, hoje falido] ), mas mesmo alcançando "seus" objetivos no fim das contas nada têm. Enquanto outros, imersos em suas "maluquices particulares", tomados pela vida e suas imensas proporções, sempre terão algo de interessante para contar aos netos, seja sobre sua intensa e incansável viagem em mundos particulares que por sermos humanos tendem a coincidir, pelo menos em parte, com mundos particulares de outras pessoas (incrível a capacidade humana de sermos, ao mesmo tempo, diferentes e iguais uns aos outros), seja sobre viagens e descobertas externas que adicionam experiências inestimáveis à cultura humana.
Novamente pergunto, o que você tem feito da vida? (e não o que ela tem feito de você). Pensemos um pouco, talvez nunca cheguemos a uma resposta... e quem disse que precisamos dela. Talvez só a reflexão seja suficiente.
Igor Vivo

quarta-feira, 2 de março de 2011

Merda no ventilador

Escolhas iguais, padrões estabelecidos, "sutis" sugestões, programas, paradigmas e mitos. Toda esta merda criada pelos meios de comunicação (todos eles) leva as pessoas a um brejo úmido e fétido de controle ou apassivamento mental (tem porcaria voando para todo o lado). Não pense, deixe que pensemos por você! E por uma barganha! Basta assinar aqui e pagar no caixa ao lado. Livre-se das perturbações mentais! Não seja mais um "esquisito" ou "idiota"! Tome este remedinho e estará "são" instantaneamente. Tenha total conforto!
A cadeia do pensamento foi aberta meus caros e ela é linda, deslumbrante e hipnótica atraindo os mais diversos públicos até mesmo aqueles que a criaram. Um fato contraditório é que a mesma cadeia possui os meios para abrir nossos pensamentos, porém isso é desconfortável e chato (acham os confortados e "legais"). Um senhor disse algo, escrito por uma senhora: "o ser humano tem a incrível capacidade de escolher o que há de pior para sí". Realmente isso pode ser provado pela história. Santos Dummond inventa o avião, incrível, sensacional, finalmente o homem ganha asas. Aí vem um imbecil e inventa os bombardeiros. O homem descobre a pólvora e outro idiota inventa as bombas e armas de fogo. Há muitas destas provas muito bem conhecidas pela humanidade na nossa história e mesmo assim o homem insiste em tornar idéias ótimas em porcaria ambulante (não todos os homens claro).
Atualmente tenho alguns péssimos exemplos, claro que não tão mortalmente avassaladores quanto os acima citados, mas péssimos exemplos. Twitter, Orkut, Facebook e outros, vêm sendo utilizados como borrifadores de fezes mentais. Não critico as ferramentas, mas as mãos que as utilizam. O que estamos fazendo com esse belo presente cinza que ganhamos de nossos pais (vulgo massa cefálica)? Quem duvidar da quantidade de asneiras, que passeie pelas páginas dessas incríveis invenções de conectividade humana. Aquele que navegar pelas que mais se assemelham às ruas da época medieval (onde pessoas jogavam suas fezes e urinas nas ruas pelas janelas das casas), e não for atingido retorne a esta página e diga seu nome, ficarei realmente feliz em sabê-lo. É óbvio que existem conteúdos esplêndidos em tais redes sociais, mas infelizmente a predominância é fétida.
Existem coisas fantásticas nesses sites, belos pensamentos, e devemos multiplicar tais conteúdos. O controle sempre esteve em nossas mãos e por isso não podemos criticar o "sistema" ou a "ferramenta", pois quem escreve ou dá a vida ao sistema somos nós. Vale lembrar que é sadio pensar idiotamente, pois eu não estou pedindo um mundo de pessoas sisudas e infelizes, e sim, um mundo de pessoas mais críticas. O que me preocupa é a relação porcarias/pensamentos, ou vice versa, pois um dos dois vem ganhando de goleada. Peço que tentemos equilibrar as quantidades, só isso. E que pensemos, tanto no que "parece" brilhante quanto no que "parece" idiota.
Igor Vivo