Para muitos, o conforto de não saber de onde veio, para onde vai, e porque está aqui, traz um aconchego placentário, o qual deve ser respeitado. A busca pela segurança também é uma qualidade, porém, para aqueles que almejam ao menos tentar entender um pouco mais de todo este mistério que é a vida, recebemos de braços abertos para embarcar nesta viagem conosco, e digo desde já que é uma viagem sem volta, sem mérito, e que provavelmente jamais chegaremos ao que procuramos, e que, uma vez cortado o cordão umbilical não se tem mais como alimentar-se, e dai em diante, é necessário ir para à rua e buscar seu próprio alimento. Para aqueles que mesmo assim estiverem dispostos, bem vindos!
"... a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas."
"Para muitas pessoas, o mundo é tão incompreensível quanto o coelhinho que um mágico tira de uma cartola que, há poucos instantes, estava vazia.
No caso do coelhinho, sabemos perfeitamente que o mágico nos iludiu. Quando falamos sobre o mundo, as coisas são um pouco diferentes. Sabemos que o mundo não é mentira ou ilusão, pois estamos vivendo nele, somos parte dele. No fundo, somos o coelhinho que é tirado da cartola. A única diferença entre nós e o coelhinho é que ele não sabe que está participando de um truque de mágica. Conosco é diferente. Sabemos que fazemos parte de algo misterioso e gostaríamos de poder explicar como tudo funciona.
PS. Quanto ao coelhinho branco, talvez seja melhor compará-lo com todo o universo. Nós, que vivemos aqui, somos os bichinhos microscópicos que vivem na base dos pêlos do coelho. Mas os filósofos tentam subir da base para a ponta dos finos pêlos, a fim de poder olhar bem dentro dos olhos do grande mágico."
(J. Gaarder)
Gabriel Ornellas
Gabriel Ornellas
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