sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Deus Não é Um Manipulador de Fantoches.

    Deus, o todo poderoso criador de tudo e de todos, será ? Para um pensador, não cabe apenas crer em Deus e sim entender o que e quem ele é. Não cabe aqui, quaisquer que sejam, críticas religiosas quanto menos em crenças sejam elas quais forem, contudo, um ser procurado por tantos povos, etnias, e gerações, nos desperta curiosidade. Como surgiu o mundo? Porque e com qual finalidade estamos aqui? Será que Deus criou tudo isso e nos colocou aqui como fantoches de um de seus "teatrinhos"?
     Existem diversas formas de se acreditar em Deus e todas levam ao mesmo destino, a Fé e às glórias alcançadas quando se acredita fielmente em algo. Será que Deus é um telespectador de nossas vidas, ou seja, uma peça externa ao nosso cotidiano? Não, Deus é tudo e tudo que existe é Deus. Segundo os panteístas, Deus não é alguém que criou o mundo um dia e desde então é uma entidade à parte de sua criação. Não. Deus é o mundo. A principal convicção é que Deus, ou força divina, está presente no mundo e permeia tudo o que nele existe. No Areópago do Antigo Testamento tem-se um discurso do apóstolo Paulo: "Porque nele vivemos, nos movemos e existimos"
    Sendo tudo Deus e Deus tudo, até onde vai nosso livre arbítrio? Se Deus realmente é tudo, nós somos uma parte de Deus, e assim sendo, nossos pensamentos, desejos, bem como manifestações físicas são vontades de Deus. É claro que tal argumento é frágil uma vez que você pode andar, pensar, e criar por si, mas será que Deus ou a Natureza, como assim chamava o filósofo Baruch Spinoza, não estaria andando pensando ou criado em você? É tudo uma questão da forma em que analisamos. Mas não, Spinoza não afirmava que o indivíduo não era capaz de determinar o que poderia fazer, contudo, existem limitações. Talvez você possa mover seu polegar ao bel-prazer, mas o polegar só pode ser movido de acordo com sua própria natureza. Ele não pode saltar da sua mão e sair pulando por ai. Da mesma forma, você também tem o seu lugar no todo. Segundo Spinoza, você é um ser singular, mas também é um dedo no corpo de Deus.    
    Imagine o seguinte. Um menino na idade da pedra, que com o tempo cresce, atira sua lança em animais, ama uma mulher e com ela tem filhos e, pode estar certo, adorou os deuses de sua tribo. O que passa em sua cabeça quando afirma que ele mesmo decidiu tudo isso? Ou melhor, um leão em uma savana. Você acredita que ele optou por viver como animal predador? E por causa disso ataca um antílope cansado? Será que ele não poderia viver como vegetariano? Não, pois o leão vive de acordo as suas leis, ou de acordo com as leis de Deus(natureza). O mesmo acontece com todos nós, pois também somos natureza. Agora imagine os seres humanos. Um recém-nascido, quando ele tem fome, se não lhe dão leite ele chora e coloca o dedo na boca para mamar. Será que este bebê possuiu livre arbítrio? E quando está criança, uma menina, digamos, passa ter livre-arbítrio? Aos dois anos ela corre por toda a parte entusiasmada com tudo que vê. Aos três vive fazendo birra e aos quatro, em um belo dia acorda tendo medo do escuro. Onde está a liberdade nisso? E aos quinze, diante do espelho, ela experimenta se maquiar. É neste momento em que ela toma suas próprias decisões? Ela é uma menina singular, e disto ela sabe, mas também vive seguindo as leis da natureza. O problema é que ela não percebe isso, pois por trás de tudo o que faz existe um número muito grande de motivos extremamente complicados.
    Spinoza considerava Deus, as leis da natureza, a causa interna de tudo o que acontece, logo, Deus não é um manipulador de fantoches. Um "mestre de marionetes" comanda tudo do lado de fora da cena, e por isso é uma coisa externa. Mas não é assim que Deus governa o mundo. Deus governa o mundo através das leis da natureza. Desta forma, Deus - ou a natureza - é a causa interna de tudo o que acontece. Sendo assim, tudo na natureza acontece porque deve ser assim. E onde fica Deus em tudo isso? - Em tudo que nos cerca.
(Texto baseado em publicações de J Gaarder)    
    Gabriel Ornellas

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Cartola

Para muitos, o conforto de não saber de onde veio, para onde vai, e porque está aqui, traz um aconchego placentário, o qual deve ser respeitado. A busca pela segurança também é uma qualidade, porém, para aqueles que almejam ao menos tentar entender um pouco mais de todo este mistério que é a vida, recebemos de braços abertos para embarcar nesta viagem conosco, e digo desde já que é uma viagem sem volta, sem mérito, e que provavelmente jamais chegaremos ao que procuramos, e que, uma vez cortado o cordão umbilical não se tem mais como alimentar-se, e dai em diante, é necessário ir para à rua e buscar seu próprio alimento. Para aqueles que mesmo assim estiverem dispostos, bem vindos! 

"... a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas."

"Para muitas pessoas, o mundo é tão incompreensível quanto o coelhinho que um mágico tira de uma cartola que, há poucos instantes, estava vazia.
No caso do coelhinho, sabemos perfeitamente que o mágico nos iludiu. Quando falamos sobre o mundo, as coisas são um pouco diferentes. Sabemos que o mundo não é mentira ou ilusão, pois estamos vivendo nele, somos parte dele. No fundo, somos o coelhinho que é tirado da cartola. A única diferença entre nós e o coelhinho é que ele não sabe que está participando de um truque de mágica. Conosco é diferente. Sabemos que fazemos parte de algo misterioso e gostaríamos de poder explicar como tudo funciona.
PS. Quanto ao coelhinho branco, talvez seja melhor compará-lo com todo o universo. Nós, que vivemos aqui, somos os bichinhos microscópicos que vivem na base dos pêlos do coelho. Mas os filósofos tentam subir da base para a ponta dos finos pêlos, a fim de poder olhar bem dentro dos olhos do grande mágico."
(J. Gaarder) 
Gabriel Ornellas

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Anonimato Declarado

Se alguem um dia ler estas palavras e questionar o nosso anonimato peço que se preocupe com os pensamentos e não com os pensadores, pois em época de pessoas que fazem "fakes" por não terem coragem de se expor, alimentando sua ignorância e tentando ganhar seguidores com o prestigio alheio, acho que a importância de nomes assinando pensamentos é irrelevante. Para aqueles que acharem que minha crítica recai sobre mim explico-me.
No meu ponto de vista uma coisa é utilizar-se de nomes, trejeitos de expressão e fotos ou caricaturas particulares de outrem para ser ouvido e "seguido", outra e totalmente diferente é prosseguir no anonimato declarado sem se valer do brilho de "celebridades" expondo pensamentos e idéias, algumas vezes críticas duras sobre coisas, acontecimentos etc. É diferente pois o primero acoberta-se diante do escudo de uma identidade caricata, enquanto nós preferimos deixar em aberto as nossas identidades por um simples motivo: direcionar críticas às criticas. Por quê não fazem o mesmo, pessoas mímicas?
Enquanto o primeiro tenta dizer o que pensa usando um "fundo ou frente" falsa, nós cuidadosamente pensaremos em nossas estrofes a serem expostas não sendo falsos conosco nem com as demais pessoas. Queremos que nossas idéias sejam expostas ao raciocíno público, quer concordem com elas ou não, mantendo abertura às negativas quanto às positivas pois, novamente, achamos que o foco principal das críticas devem ser as idéias e não críticas pessoais que apenas fariam com que perdêssemos o nosso precioso tempo.
Por fim, peço que as pessoas que se dispuserem a ler o conteúdo deste blog, saibam que haverá erros gramaticais, erros de pontuação e inconsistências no raciocínio, pois somos humanos e não temos medo de errar mesmo tendo certeza de que o faremos. Peço no geral que pensem antes de concordar ou não com nossas palavras.