quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ser louco ou não ser?

Enquanto centenas de gotas molhadas de água caíam sobre meus já úmidos cabelos, um pensamento atravessou o banheiro como um relâmpago e chocou-se contra a minha mente. "Os loucos têm motivo para a sua loucura, já os normais não têm motivo para a sua normalidade". Sinceramente não sei se este foi um pensamento advindo do interior do meu crânio, onde supostamente se formam as idéias, mas isto não é o mais importante.
Na verdade nem sei se este é um pensamento importante porque o que é importante pra mim pode não o ser para você (esta frase definitivamente não saiu do interior do meu cérebro, na verdade saiu mas outra pessoa a fez mais famosa). As pessoas costumam se ater a parâmetros, fórmulas, métodos e scripts enquanto as coisas e situações que nos deixam boquiabertos sejam simples e espontâneas. Eu prefiro a idiotice espontânea ao sorriso maquinado, engendrado. Prefiro o xingo sentido ao elogio camuflado. Prefiro ser rejeitado a ser aceito de malgrado.
A mania da certeza. Esta ataca a todos os seres humanos com certeza! (até a minha pessoa é claro). Como você pode ter certeza de que tem certeza? É ciclicamente confuso e perturbador. Imagine um cachorro correndo atrás de seu rabo. Imaginou? Este é um ser humano tentando ter certeza de qualquer que seja a coisa da qual ele deseja ter certeza sobre. Você acredita ter certeza no que vê? Então experimente colocar um espelho em frente à um outro espelho. Olhe para qualquer um dos dois por pelo menos dez minutos (sinceramente eu não aguento isso por dois minutos). Ainda tem certeza de que o quê vê é verdade?
Maluquice né (nada como uma ilusão para nos mostrar a "verdade")?! Mas apesar de não termos certeza de nada, somos teimosos em aprender, e isso eu valorizo no ser humano pois a certeza não leva a lugar algum mas a dúvida sim. A dúvida é o combustível dos sábios e a barreira dos preguiçosos, eu acho.
Sem ter certeza de nada mas com um bolso cheio de dúvidas a responder, prossigo viagem com minha mochila suja cheia de idéias e lembranças, com minhas roupas surradas e meu cabelo despenteado tentando escalar a "pelagem do coelho" (o Everest dos "malucos").
Se eu fosse ter certeza de algo, teria certeza de que uma boa e verdadeira gargalhada é uma das melhores coisas do mundo.




Obs.: Para quem não entendeu a "escalada da pelagem do coelho" fica uma dica de ótima leitura, "O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder. Não haverá arrependimentos.
Igor Vivo

2 comentários:

  1. De fato esta indagação é no mínimo curiosa. Porque os loucos necessitam de um motivo para serem, e os normais não possuem motivo algum para serem normais? ...Ah Sim, com certeza eu tenho muitos motivos...

    A questão sobre a certeza não nos levar a nada é um fato. Utilizando um trecho da música de Os Engenheiros do Havai: "Quando está escuro, o invisível nos salta aos olhos." podemos paralelamente criar uma interpretação de que no claro, enxergamos aquilo que é visível, visível à nossa subjetividade, que é tão objetiva quanto a um trem voando por entre as nuvens. Quando não temos certeza de nada, nos abrimos para a possibilidade de enxergar tudo aquilo que está escondido, e que só enxergamos no escuro.

    E parafraseando Sócrates, e transpondo de maneira mimética para a atual questão: Só tenho a certeza que não tenho nenhuma certeza.

    A certeza nos paralisa, a dúvida nos coloca em movimento.

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