terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quem sou eu?

Às vezes quando "conheço" novas pessoas, elas me perguntam como eu me chamo. Hoje pensei e parei sobre isso e quando me peguei olhando de forma fixa para o infinito questionei o fundo do meu "auto conhecimento" indagando a seguinte pergunta: quem sou eu, e o que sou? A primeira resposta veio com as quatro letras que compõem meu nome. Uma mistura ou anagrama de letras que me deram e eu me fiz acreditar que me explica e diz quem sou (por incrível que pareça existem alguns livros que descrevem a personalidade das pessoas pelos seus nomes, algumas coisas incrivelmente coincidem, acho).
Mas não, talvez eu não seja o meu nome e nem a figura de cabelos despenteados que se olha no espelho pela manhã e rí da própria imagem. Não que eu me ache feio, mas simplesmente aquele, ou este, conjunto de pele e osso faz inexplicavelmente brotar um sorriso no mesmo. Mas ainda restava a questão perambulando em minha mente.
Pensei em minha infância e em tudo que realizei. Mas mais do que eu realizei existe aquilo que eu não fiz. Ainda não. Agora enquanto ouço a voz de meus familiares percebo que não sou, somos. Sou ao mesmo tempo todos e um só. A individualidade no meio de um imenso coletivo. Sou cada familiar, amigo, professor, motorista de ônibus, balconista e estranho que cumprimento e me cumprimenta na rua. Ou talvez tenham sido eles apenas parte de mim? Seria muita arrogância de minha parte pensar assim?
O quê ou quem "sou" pode ser aquilo que posso representar, tanto positiva quanto negativamente, pois já dizia "alguém" (de quem eu não me recordo o nome) que "nada é tudo bem ou tudo mal". Mais importante do que me definir por máscaras titulares de CEO (vi isso como definição de quem sou eu em um perfil incomum no Twitter, porém quem sou eu para julgar esta "condição de existência"), são os sorrisos que auxiliei a serem abertos em diferentes lábios, ou mentes perturbadas das quais ajudei a dissipar as nuvens negras que a rodeavam. Mais importante que isso é eu ter visto ao menos um nascer do sol e observado o mesmo se escondendo na linha do oceano. Ou talvez ter sentido aquele cheiro de chuva que nos avisa a retirar as roupas do varal, esperar a chuva cair para sentir com alegria seus primeiros pingos molhados e ensopado se despedir deles já com saudade. Será que aquele primeiro raio de sol matutino que incide em nossos glóbulos oculares, queimando por um momento curto, mas acariciando a mente e dizendo baixinho e com ternura de que um belo dia se inicia. Mesmo aqueles momentos de raiva ou torpor dos quais tive de atravessar só ou acompanhado, todos eles, lembrando que bons ou ruins talvez sejam "eu".
Chego a pensar portanto, porém sem concluir que, sou tudo isso e que tudo isso e os sentimentos causados com essas experiências fazem parte de mim. Porque o que penso que sou pode ser apenas aquilo a que fui exposto nesse mundo de experiências, e as que virão me farão diferente. Atrás de uma essência inexplicável eu me insiro dentro deste organismo e interajo com o mundo, mudando e "voltando ao normal" ,buscando uma resposta da qual não tenho certeza nenhuma de que haja uma pergunta.

PS.: Perdoem a quantidade de aspas, mas elas eram de real importância para mim.
Igor Vivo

7 comentários:

  1. Velho. eu nunca tinha pensado muito em quem eu era também. até que em psicologia o professor começou a falar das teorias de como nossa personalidade é/pode ser formada.
    E uma das teorias que achei interessante. se relaciona com o que você falou. que nossa personalidade tem frequente e direta influência dos outros 'eus' pelo mundo. e que de certa forma você contribuiu pra alguem ser 'alguém'. e o outro contribuiu pra você ser esse "eu" atual.
    Louco ne!? Oo

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  2. Extremamente... isso me leva a pensar que simplesmente não posso, ou não consigo, ignorar o mundo lá fora.

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  3. Se de fato nossa personalidade é influênciada pelas pessoas que nos cercam e pelo todo a nossa volta, devo acreditar que sim, sou fruto do meio AO QUAL ME INCLUO, e não simplesmente o qual pertenço, pois só vivemos aquilo que queremos, ou que damos liberdade para que faça parte de nossa vida. Assim sendo, deve-se tomar muito cuidado no momento de adentrar ou de simplemente agregar universos ao nosso, pois este pode interferir positiva quanto negativamente em nossa formação.
    Mas concordo contigo major, sou tudo aquilo que já vive, todos os sorrisos os quais já proporcionei, bem como todas a lágrimas das quais já fiz escorrer. logo sou o meu passado, não sabendo no entanto como serei no futuro, todavia tendo a total liberdade e a obrigação de interferir e tentar ser aquilo que eu considero correto e melhor simplesmente para mim.

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  4. Se nossa personalidade é influenciada por tudo e todos que nos cercam, devemos remeter a nossa consciencia para indagar: qual influência estamos proporcionando àqueles que cercamos? O que queremos proporcionar para o próximo? Qual tipo de sentimento queremos ser lembrados?

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  5. Creio que um dos grandes problemas é justamente supervalorizar a aparência, ou a influência que exercemos sobre os outros. Agindo de tal maneira estamos fugindo de nossa real personalidade, pelo simples fato de querer demonstrar algo, ou agradar alguém. Creio que o mais coerente seria preocupar-se com a influência que os outros exercem sobre nós, e se não a achamos válida, devemos tomar providências para que não interfira negativamente em nossa vida. Preocupar-se em como seremos lembrado, seria um erro, uma vez que tal pensamento nos induz a nos mostrar diferente do que realmente somos, e assim sendo, acabaremos não agradando "o outro", e o pior, não agradando a si mesmo. Quando se mostra o que realmente é, sempre teremos pessoas que se identificam conosco, e estarão ao nosso lado por prazer, e não por uma "aparência".

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  6. Concordo... mas quanto à nossa personalidade, não creio que haja meios de fugir dela. Por mais que "sejamos nós mesmos" sem nos preocupar com a aparência, essa seria a nossa personalidade. Caso contrario também seria a nossa personalidade. Acredito no que dizia um grande filósofo: "o homem está fadado à liberdade".

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  7. Meu, que doideira.
    Conheço bons psiquiatras que me tratam.
    Se alguém precisar, posso conseguir a primeira sessão de terapia na faixa.

    Obrigado, parabéns e desculpem o fato de eu ter nascido.
    Olha, legal mesmo.
    Bem legal.

    Olha, muito bom.

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