Vivemos em um mundo que nos pressiona a viver em uma ditadura do pensamento único. Somos reféns do conhecimento padronizado, passando por diversas aprovações, muitas das quais, não julgam o quanto somos inteligentes, e sim o quanto somos capazes, em determinada área do conhecimento. Pablo Picasso foi um péssimo aluno, todavia, capaz de produzir obras de arte com valores inestimáveis. Seria ele uma pessoa desprovida de inteligência por não conseguir fazer raciocínios lógicos apurados, ou por não obter êxito em um teste linguístico? Pesquisas do psicólogo americano Howard Gardner, subdivide as áreas do conhecimento(inteligência) em 8 classificações. Sendo assim, cada ser mais suscetível a certas áreas.
Em sua pesquisa conhecida como Teoria da Inteligência Múltipla, Gardner classifica as múltiplas capacidades da mente em: Lógico-matemática, capacidade de analisar problemas, operacões matemáticas e questões científicas, como fazem engenheiros, matemáticos e cientistas; Linguística, sensibilidade para a língua escrita e falada, presente em oradores e escritores; Espacial, Capacidade de entender o mundo visual em detalhes, como fazem os arquitetos, desenhistas e escultores; Musical, habilidade para tocar, compor, e apreciar música; Corporal-Cinestésica, capacidade de usar o corpo em atividades como danças e esportes; Inteligências Pessoais(intra e inter-pessoal), capacidade de se conhecer, socializar-se, e entender as inteções e motivações dos outros, como fazem os políticos, diplomatas, e lideres; Naturalista, capacidade de reconhecer e classificar espécies da natureza, presente em biólogos e naturalistas; Existencial, habilidade de preocupar-se e formular questões fundamentais da existência, como fazem os filósofos. Popularmente, quando se diz que alguém é inteligente, está se medindo apenas as capacidades Lógico-matemática e linguística, medidas em testes de QI. Mas é inconsistente afirmar que alguém é mais inteligente que outra pessoas através de um teste de QI. Pois cada ser apresenta tipos de inteligências distintas, não havendo nenhuma com maior relevância. Logo, não pode-se afirmar que Picasso era burro por não ser bom em contas, pois ele não possuia sua capacidade lógica-matemática bem aflorada, contudo, sua capacidade espacial era apuradíssima.
A observação científica mostra que o mundo está cheio de gente que se destaca no pensamento lógico, mas não tem inteligência suficiente para expressar uma idéia com começo, meio e fim. Ou seja, a maioria das pessoas é, ao mesmo tempo, inteligente para algumas áreas do conhecimento e limitada para outras. Mas até que ponto é possível desenvolver a inteligência? Essa é uma questão que vem intrigando os especialistas há séculos. Nas sociedades asiáticas influenciadas pelo confucionismo, vigora a idéia de que as pessoas diferem pouco no intelecto. Mais importante para seu sucesso é o esforço despendido por cada um. No Ocidente, por sua vez, circula a visão de que a inteligência é inata e de que quase nada se pode fazer para mudá-la. O fato é que a ciência já reuniu evidências suficientes para concluir que a inteligência é resultado dos dois fatores: a genética e a experiência de cada um. Certamente não estão determinadas no berçário todas as capacidades intelectuais das pessoas, o que quer dizer, sim, que é possível esculpir a inteligência - ainda que haja limitações para isso. Estudos indicam que é possível tornar-se genial numa área para a qual não se tem talento natural, todavia, uma pessoa apenas dedicada, não possuidora do talento natural, jamais chegaria a um desempenho como aquela que com as mesmas intruções possui o talento inato.
Certamente a inteligência mais valorizada hoje é a lógica-matemática, mas de que adianta uma pessoa extremamente lógica, técnica, mas que não é capaz de socializar-se? A união do pensamento lógico à capacidade de lidar com as pessoas tem resultado em carreiras de sucesso nas grandes empresas. O que não dá é para interpretar esse tipo de constatação como uma espécie de fórmula para o êxito. Mas que, de nada adianta uma pessoa ser excelente em uma determinada área do conhecimento, e atrofiada em todas as outras. Deve-se tomar cuidado ao interpretar inteligência como sinonimo de altos indices de QI, uma vez que, tais testes medem apenas as capacidade lógicas e linguísticas.
Gabriel Ornellas
Acho que mais interessante que tentar ser inteligente ou aprofundar sua inteligencia nas áreas que lhe apraz, é aventurar-se no mar do desconhecido, provar o sabor do novo. Se após tudo isso você ainda tiver a plena certeza de que fica apenas com o que tinha antes de mergulhar num incrível mundo novo, eu não teria tanta certeza da sua felicidade.
ResponderExcluirExcelente texto.
ResponderExcluirJean Jaques Russeau afirmava que "Inteligência aumenta com o uso" mas creio que precisamos partir em igualdade de condições e em iguais patamares. Como bem falou, traços genéticos ajudam a constituir maior ou menor inteligência e se assim não fosse, jamais teríamos trabalhadores braçais e uma legião de desempregados oferecendo-se por moedas às ordens de patrões estudados e desenvolvidos. Creio na teoria da evolução e sustento que somos frutos das nossas escolhas. Odeio salas de aula e amo cerveja. Prefiro mil vezes pescar, fazer música e vagar do que me preparar para provas ridículas, cheias de pegadinhas, que não me acrescentarão nada exceto uma certificação de sobrevivente à tortura. Ocorre que sou obrigado a isso se quiser continuar vivo e em com boas condições de vida. Quando afirmo que acredito na teoria da evolução me refiro a isso. Tudo começou quando superei milhões de outros espermatozóides como eu, que me ajudaram inclusive a enfraquecer o óvulo que acabei por fertilizar sozinho. essa foi minha primeira competição e derrubei milhões de oponentes. Nasci com a ajuda de médicos pois sem eles também não estaria aqui. Cresci com minha inteligência sendo testada a todo momento por familiares, padres, professores, chefes, mais professores, provas, professores, exames, professores, testes...
Sou compelido a me superar diariamente e apenas para me manter sobrevivendo no mundo. Cada prova que faço e sou aprovado percebo que há ainda candidatos com resultados melhores que os meus e ainda falam alemão fluentemente. Ah, e ainda são magros, jovens e sorridentes. Quando me graduo percebo que deveria estar pós-graduado. Quando concluo a pós percebo que não falo inglês fluente. Quando aprendo inglês o mundo mudou para o oriente e a língua mundial agora é o mandarim. Quando aprendo mandarim, os sistemas computacionais do mundo mudaram também e meu conhecimento windows deveria ser Mac, meu celular deveria ser Smartphone, meu carro deveria estacionar sozinho e minha empregada deveria ser um robô.
Olha, estamos condenados à educação e a atualização constante sob pena de sairmos do mundo. Não há mais empregos para apertadores de parafusos e nem oportunidades para aqueles que se acham capazes e "os caras". Descobri que inteligência aumenta mesmo com o uso e vou usar a minha, sendo testado diariamente, porque adoro isso. Cada conquista minha é única, me faz bem e sacia minha luta por evolução. No mais, acho que ser um super "Nerd" e não saber viver é um desperdício. Prefiro pessoas que lutam com a vida, encaram o leão, se desenvolvem e evoluem constantemente ao mesmo tempo que são sociáveis, humildes, sensatas e equilibradas. É possível, acredite. É até gostoso.
Ornellas:
ResponderExcluirOu melhor seria dizer Gilbert?
Pelo visto, teu passado maçônico está com toda força! Não seria legal retomar o 18?