A raça humana, desde sua existência, vem se relacionando e vivendo em coletivo. Com a "racionalização" do homem os seres foram criando novas formas de relacionamento sendo uma delas a relação homem e mulher, mulher e mulher, ou homem e homem. Relação resultante da sociabilidade dos seres humanos em conjunto da necessidade biológica de sexo, prazer, e perpetuação da espécie. Em tal contexto, surge a igreja e os padrões morais regendo a sociedade para o matrimônio e para o "amor" único e vitalício. É dai que surge minha atual indagação: - É possível existir amor eterno? E primeiramente, o que é amar?
Tentarei responder o que é amar de uma maneira racional, logo, como o amor não é nada racional não acredito que cheguemos a uma definição concreta. Segundo o significado gramatical, o verbo amar pode apresentar os seguintes sentidos: Quando transitivo direto, o verbo pode ter sentido de gostar muito de alguém, desejar, preferir ou apreciar; Quando intransitivo, pode caracterizar paixão, estar apaixonado; E quando pronominal, pode significar ter um sentimento mútuo de amor, ternura, paixão, ou de pratica do ato sexual. Assim a própria sociedade não caracteriza o amor como este significado platônico que protagoniza as telenovelas, filmes e a imaginação da população. O verbo amor esta mais relacionado com paixão, desejo e sexo, do que com a simples definição de contos de fadas.
Considerando as definições de amor, volto a perguntar: - É possível existir amor eterno? Quase a totalidade dos seres vivos se relacionam, e grande parte prossegue com a perpetuação da espécie. Mas é curioso observar que os seres humanos são os únicos seres vivos que se mantem ao lado da companheira(o) após o nascimento e criação do filho, mais curioso ainda é que somente os seres humanos almejam permanecer ao lado de sua companheira(o) até o fim dos dias. Mas agora, de onde vem tal aspiração? Freud após analisar a tragédia de Sófocles, Édipo Rei, formulou o conceito do Complexo de Édipo, o qual, o menino ou menina possuem sentimentos contraditórios de amor e hostilidade pela mãe e pelo pai respectivamente. Tal sentimento seria resultado de uma fraqueza, fragilidade dos homens, acarretando em uma necessidade de proteção materna ou paterna, e apartir daí, a criança passa a desejar a mãe ou ao pai sexualmente pelo simples fato de buscar proteção no seio dos mesmos. Os estudos de Freud abrem uma via de interpretação para responder de onde vem a aspiração pela busca de um amor eterno, e de uma companheira(o) vitalícia. Tal aspiração seria resultado da fragilidade dos homens e da busca incessante por proteção, por isso nossos desejos e afinidades pelo sexo oposto ou do mesmo sexo, está ligada diretamente com a figura paterna ou materna. Sendo assim, a humanidade busca no amor e no companheiro a figura e a proteção dos pais. Logo, provavelmente a companheira ideal à mim seria aquela que tivesse maior semelhança com minha mãe, e isto ocorre com grande parte da humanidade.
Assim o amor acaba sendo confundido com companheirismo, respeito e fraternidade, sentimentos que podem sim chegar a serem vitalícios, mas amor eterno torna-se algo complicado, pois buscamos nos outros algo que eles não são, e quando nos damos conta disto nos frustramos. É possível amar alguém? Sim, desde que respeitemos a pessoa como ela é, e não tentemos muda-la ou adapta-la de acordo com nossos desejos. E mesmo respeitando tudo isso há uma grande possibilidade de não durar para sempre, pois o amor está diretamente atrelado com desejo e paixão, sentimentos passageiros. E assim volto a perguntar: - É possível existir amor eterno?
Gabriel Ornellas
No meu entender, legal seria primeiramente separar amor de paixão. Uma vez, não sei onde, encontrei a seguinte definição: " Amor é a união da alma com o espírito, paixão é a fusão da alma com o corpo." Se pensarmos desse modo encontraremos o amor como algo incondicional, como algo a ser conquistado. E quando conquistamos isso é para sempre. Em contrapartida a paixão vai se apegar a coisas temporárias, como aparência, química hormonal, etc. Neste caso, sendo condicional é como uma vela: a mesma chama que ilumina consome.
ResponderExcluirInteressante. Mas até onde amor e paixão estão ou podem ser separados? Estariam sequer juntos?.
ResponderExcluirMuito boas as definições mas filosofando sobre os pontos fixos (se é que existe algum neste mundo) tudo se dissipa num turbilhão de dúvidas. Eu talvez possa dizer o que sinto e quando sinto mas mesmo assim minha própria mente me prega peças deixando meus sentimentos à deriva e me mantendo no questionamento...
Renato, gostei da sua definição sobre amor e paixão, e da teoria de separarmos as mesmas. Mas te pergunto, você acredita poder haver amor e paixão coexistindo, uma vez que o amor é vitalício e a paixão efêmera? Essa sua teoria me agrada, realmente, ao meu ver, existe amor eterno. Aquele que sinto pelos meus irmãos, pais, e grandes amigos. Mas no caso de atrações, já tenho minhas dúvidas sobre existir este amor, quanto mais, eterno.
ResponderExcluirCreio que as relações amorosas formam seus alicerces na paixão, sentimento como você mesmo disse, finito. Então, caso coexistam paixão e amor, a paixão se esvai deixando apenas o amor em cena, e logo, faltará a paixão e o fogo que ilumina o amor, fragilizando-o.